Domingo, Dezembro 09, 2007

SE O MEU TEMPO NÃO FOSSE ALADO...

Excelente metáfora, perfeitamente anacrónica é,
"o tempo voa"!
Desde a primeira hora do nascimento, crescemos despreocupadamente sob o olhar atento e carinhoso dos nossos pais (os que tem essa sorte).
A despreocupação vai-se mitigando à medida que passamos as grandes etapas do crescimento (infância, pré-adolescência, adolescência, juventude) e quando damos conta, temos a vida inundada de preocupações. A verdade é que quase nem nos apercebemos da altura em que o rombo na vida se deu e o casco da vivência bem no fundo, começou lenta e gradualmente a meter as preocupações. Uma coisa era certa: elas não vinham em enxorrada; não eram nenhum tsunami. Não! Lenta e gradualmente, os nossos pais preparavam-nos para enfrentar as ondas, primeiro connosco, levando-nos ao colo; depois, ao nosso lado com as mãos no peito, enquanto esbracejavamos e batiamos cadenciadamente pernas e pés; depois, na praia, vigilantes, atentos ao mais pequeno indicio de atrapalhação, seguiam-nos com o olhar, satisfeitos e orgulhosos; por último, deixavam-nos ir para a praia sozinhos, apenas recomendando prudência e respeito pelo mar.
Neste dealbar do milénio, as condições climatéricas sofreram tão grande alteração que, os nossos filhos, mal entram na escola, decobrem logo o que é o mar das preocupações. Na senda da metáfora que explanei, em relação à vida, atrever-me-ia a dizer, que os pais hoje em dia, chegam à praia, poe o colete salva-vidas à volta da criança e dizem-lhes :
Nada meu filho! Força! A vida é dos mais fortes! Só eles sobrevivem! Tens que ser o primeiro, pois o segundo, é o primeiro dos últimos ! Deixa lá os outros! Olha sempre para a frente e não pares para ajudar ninguém, que isso é apenas uma táctica para te atrasar! No fim, quando fores um profissional bem sucedido, vais dar razão ao que o Pai te dizia. A vida não é para os piegas! Amor, carinho, compreensão, tolerância é para os piegas! Para os segundos!
E, com esta tempestade ciclónica, o aquecimento global do planeta, a rarefacção do ar, o buraco do ozono, a perigosidade dos UV's, o derreter da calota polar, a desflorestação da Amazónia, etc, etc, todas as catástrofes naturais que o homem vai coleccionando, não haverá bóias, coletes salva-vidas, nem embarcações suficientemente fortes que consigam enfrentar os Elementos.
O homem para isso contribuiu e continuará a fazê-lo!
Não interessa já o raio de sol que banha um rosto pela manhã! A gota de orvalho que escorre lentamente para a pétala. O vizinho que me cumprimenta, mas a quem eu não retribuo, por não o considerar digno de uma mero "Bom dia". Não interessa quão boa é a sua índole, se não passar de um falhado....sem qualquer sucesso social e profissional. Que respeito me granjeia uma pessoa assim?
Com tão grande instabilidade climatérica, se um dia tiver que enfrentar os elementos e apelar à solidariedade e à bondade, de alguém, chegará o colete salva-vidas? Estive tão ocupado a ser o primeiro, que não me sobrou qualquer momento para outras actividade!
Aí, o meu vizinho, estará lá para me dar a mão! Sempre que lhe virei a cara, sempre ele reiterava o cumprimento matinal! Achava que me era para pedir algo! A simpatia gratuita era uma ficção! Porque me ajuda, se eu não o fiz jamais?
Simplesmente, porque a humanidade que transporta, é mais forte que todos os preconceitos! A generosidade que apregoa, não olha a credos, raças, ou escalões sociais!
Acima de tudo: Porque os primeiros, serão os últimos!
O tempo voa para todos! A velocidade que lhe imprimimos, é que marca a diferença na existência de cada um!
Nesta vida tão a jacto, compete a cada um, encontrar o seu momento para planar............

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